Piloto de F-1, regra geral, tem espírito nômade. Mudar de equipe três vezes ou mais faz parte da carreira. E quando isso acontece, a expressão mudar de casa tem significado literal, principalmente quando o piloto prefere estar próximo à sua equipe. As principais sedes estão na Inglaterra (inclusive a RBR que se apresenta como austríaca), Itália ou Alemanha. Existem outras na Suíça e agora também na Espanha. Além das peculiaridades geográficas, cada um dos times conte com cultura e costumes próprios, o que faz com que o piloto tenha que ter uma boa dose de flexiblidade durante a fase de adaptação
Apesar de estarem em situações muito diferentes na categoria –. Rubens Barrichello entrará na sua 18° temporada enquanto Bruno Senna fará a sua estréia na F-1, ambos enfrentarão processos de adaptação semelhantes na temporada de 2010.
Ao longo desses dezoito anos, Rubens passou por cinco equipes: Jordan, Stewart, Ferrari, Honda e Brawn. Em 2010, será a vez da Williams. Ele me confessou que se trata da equipe que povoava seus sonhos na época em que corria de F-Opel e F-3. Vale lembrar que nas décadas de 80 e 90, as grandes equipes eram a Williams e McLaren, enquanto a Ferrari era um mito adormecido.
Por ser uma equipe britânica, consigo ver Rubinho adaptando-se rapidamente na casa nova. A cultura inglesa é a mais forte em relação ao automobilismo, algo comparável ao futebol no Brasil. E os ingleses costumam receber muito bem os brasileiros, com quem não têm as diferenças que esgrimem com franceses e alemães, talvez sequelas de um passado belicoso entre esses Estados. Sem falar que Barrichello viverá uma situação bem diferente das últimas equipes por onde passou. Será o primeiro piloto da equipe graças a sua grande experiência e o fato Nico Hulkenberg, seu companheiro, ser um estreante.
Também trabalha a favor de Rubinho o fato de ter sido muito bem-sucedido enquanto correu com os ingleses. Foi campeão britânico de F-3 em 1991 e nos anos seguintes fez em grande trabalho com a Jordan e Stewart na F-1, deixando sua marca registrada por lá. Alguns de seus antigos companheiros daquela época estarão com ele na Williams na próxima temporada. É o caso do diretor técnico, o australiano Sam Michael, com quem trabalhou na Jordan quando Rubens era ainda um estreante e Sam apenas um engenheiro de telemetria. Essa relação profissional já vivida no passado ajudará muito Barrichello adaptar-se a nova equipe.
No caso de Bruno é tudo novidade. Categoria, equipe e diferenças culturais em relação aos espanhóis farão parte do seu ano de estréia na F-1. Contará a favor o fato de Bruno já ter mostrado velocidade um conhecimento técnico apurado, principalmente na GP-2 em 2008, quando foi o vice-campeão. E a equipe de Adrian Campos, um ex-piloto de F-1, também já mostrou capacidade vencendo campeonatos, em categorias diferentes, com F-Nissan e GP-2. Esse potencial existente poderá ajudá-los a construir um bom relacionamento dentro e fora da pista.
A essa altura você deve estar se perguntando se 2010 será favorável para eles. Bom, difícil de responder com precisão. Rubens, depois de ter assinado o contrato com a Williams durante o GP da Bélgica, recebeu convites para permanecer na Brawn ou se transferir para a McLaren, sem dúvida equipes com mais potencial. Mas é certo que a Williams sabe o caminho da vitória e podemos ver que estão saindo do buraco desde o “divórcio” com a BMW. O projeto do carro está adiantado, a equipe tem profissionais competentes e vive uma situação financeira melhor do que nos últimos anos. E apostam na eficiência dos motores Cosworth, principalmente em relação ao consumo de combustível (a partir da próxima temporada não haverá reabastecimento durante a corrida). No caso de Bruno, o melhor é não criarmos expectativa, uma vez que ele e equipe farão sua estreia na F-1. E, cá para nós, milagres não costumam acontecer duas vezes em seguida...