Leia aqui as colunas escritas por Luciano Burti para a revista Quatro Rodas.
- 15/04/2010 | De volta aos melhores tempos
- 17/02/2010 | O retorno do bom (e velho?) Schumacher
- 04/12/2009 | CASA NOVA, CARRO NOVO
- 04/12/2009 | O IMPORTANTE É COMPETIR
- 13/07/2009 | Temporada temporã
- 02/03/2009 | Prova mais difícil
- 14/02/2009 | Férias corridas
- 09/12/2008 | Deixou ou não?
- 17/11/2008 | Por dentro de um F-1
- 10/10/2008 | Cobrança no fim de semana
- 08/10/2008 | Pista em festa
- 30/03/2008 | Assim é possível compreender
- 25/02/2008 | Condução Própria
- 19/10/2007 | A grande polêmica
- 19/10/2007 | Show de circo
- 19/10/2007 | E as ultrapassagens?
13/07/2009 | Temporada temporã
Para quem vê Jenson Button vencendo corridas e liderando com folga o campeonato de Fórmula 1, rumo ao título dessa temporada, talvez não se dê conta que essa já é a décima temporada do piloto inglês. E que até meados de fevereiro deste ano estava desempregado, sem equipe para correr, quem diria... Mas por que ele não se destacou antes? Será que ele está liderando o mundial apenas por ter o melhor carro?
Vamos começar do início. Button começou sua carreira no kart em 1988, aos 8 anos de idade, e desde então se destacou como piloto. Venceu vários campeonatos na Inglaterra e em 95 foi vice-campeão mundial na França (campeonato vencido pelo brasileiro e amigo Gastão Fráguas Filho). O passo seguinte foi nas categorias de carros, ainda na Inglaterra. E foi correndo de Fórmula Ford, em 1998, que Button apareceu de vez para o automobilismo, vencendo o competitivo campeonato inglês e também o mundial daquele ano.
Como conseqüência dessa rápida adaptação aos carros, passou direto para a forte Fórmula 3 inglesa. E já chegou à categoria, apontado pela imprensa local, como um dos favoritos ao título e apontado como promessa para a F-1. E foi lá que nos conhecemos, uma vez que o outro favorito ao título era ninguém menos que este colunista. Eu competia pela forte Paul Stewart Racing e o Jenson pela equipe oficial da Renault. Disputamos o campeonato do início ao fim, mas para a surpresa de todos o grande campeão foi o inglês Marc Hynes (que infelizmente não foi adiante com sua a carreira depois desse título). Eu terminei em segundo e Button em terceiro, mas mesmo sem vencer o campeonato fomos os destaques, desempenho que nos rendeu credenciais para chegar a Fórmula 1.
No ano de 2000, a equipe Williams estava com uma vaga ainda em aberto depois de demitir Alessandro Zanardi (o único confirmado era Ralf Schumacher). Como era a estréia dos motores BMW, a equipe decidiu apostar em um piloto para o futuro. E nada melhor do que uma promessa como Button. Inglês, boa pinta (importante para a imagem junto aos patrocinadores) e vencedor nas categorias por onde passou, mesmo sendo uma dúvida por se tratar de um estreante. Bom, o britânico se adaptou muito rápido, conseguindo um quarto lugar no GP da Alemanha como melhor resultado e conquistando o oitavo lugar no campeonato. Estava confirmado de vez, Button era a promessa de um futuro campeão na Fórmula 1.
Mas o mundo dá voltas e o automobilismo pode ser cruel. A imprensa e a torcida se esquecem rápido do passado e o que vale mesmo são os últimos resultados. De 2001 em diante, Button enfrentou várias dificuldades. Eu mesmo pude acompanhar de perto porque disputei essa temporada de 2001 pela fraca equipe Prost. Mas Jenson sofria ainda mais com o seu carro da Renault e quase sempre estava bem atrás no grid. Essa foi sem dúvida a sua pior temporada.
Ainda assim se manteve na categoria, não há dúvida que o fato de ser inglês o ajudou bastante. Conseguiu melhores resultados em 2002, foi para a equipe BAR em 2003 e no ano de 2004 teve o seu melhor resultado conquistando o terceiro lugar no mundial de pilotos. Em 2006, já na equipe Honda, conseguiu a sua primeira vitória, no GP da Hungria, o que lhe rendeu ótimas perspectivas para o seu futuro com a equipe. Mas depois de temporadas sofríveis em 2007 e 2008, pilotando carros muito ruins, Button caiu no esquecimento. Já era apontado como aquele piloto que não deu certo. E o surgimento de Lewis Hamilton só piorou a situação; Button passou a ser desacreditado de vez tanto pela imprensa como pela torcida de seu próprio país.
Mas, nada como uma temporada após a outra. Esse ano você já sabe. O piloto ressurgiu das profundezas e, com o melhor carro da temporada, vem fazendo aquilo que só mesmo os grandes campeões conseguiram fazer. E isso mostra como automobilismo é uma competição entre carros, nunca será vencedor aquele que não contar com um bom equipamento.
E depois de tantas vitórias já podemos apontar Jenson como um dos grandes pilotos da história? Ainda não, mesmo que ele vença o campeonato desse ano. Sem dúvida ele é muito rápido e tem como principal qualidade a constância, erra muito pouco. Mas ainda fica devendo quando precisa ser agressivo, não é daqueles pilotos que larga atrás e chega lá na frente proporcionando um espetáculo.
Devemos lembrar que as estrelas desse esporte são pilotos como Fangio, Clark, Stewart, Fittipaldi, Prost, Piquet, Senna e Schumacher. Assim, mesmo estando no rumo certo, Button ainda tem muito chão pela frente. Os grandes que o digam.

