Como afirmei na coluna passada, dezembro foi o mês de reencontrar os amigos na disputa de dois eventos de kart que crescem a cada ano: as 500 Milhas da Granja Viana e o Desafio das Estrelas.
No primeiro, o bacana é fazer uma prova de longa duração na mesma pista com pilotos nível F-1, como Barrichello e Massa, mas também com a nova geração de kartistas brasileiros e pilotos semi-amadores.
A molecada, por sinal, foi um dos destaques positivos da corrida. Na minha equipe, fiquei muito contente em dividir espaço com nomes que estão se destacando nas competições nacionais. É ótimo ver que o automobilismo segue despertando paixões – e que a nova safra está se renovando, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas.
Verdade seja dita. A vitória do Massa no GP Brasil mostrou que o caminho das vitórias na F-1 continua aberto para o país. Outros sobrenomes que nos deram tanta alegria também já estão quase lá: Nelsinho Piquet e Bruno Senna. O problema é justamente o buraco que há hoje entre esta turma que está a um passo da F-1 e a boa safra do kart.
Não é só a crise por aqui que atrapalha, como o fim da F-Renault ou mesmo as dificuldades da F-3 Sul-Americana. Sei que os custos aumentaram no mundo todo. Dou como exemplo minha carreira. Quando corri na F-3 Inglesa (que na época era super-bem-avaliada, tanto que eu o Jenson Button saímos direto pra F-1), tinha um orçamento de aproximadamente 300.000,00 libras, equivalente a 1.250.000,00 reais. Coisa que hoje em dia paga pouco mais de meia temporada.
E por falar de minha época de F-1, também marcou este final de 2006 a oportunidade de rever antigos duelos no Desafio das Estrelas, corrida de kart que o Massa organizou em Florianópolis. Caso do Jean Alesi, por exemplo, meu ex-companheiro na equipe Prost. E também acirrar disputas com novos pilotos, como Liuzzi, Doornbos, Monteiro e o próprio Felipe, que entrou na F-1 em 2002, quando eu já fazia testes pra Ferrari.
Aliás, encontrando os pilotos de F-1, pude conversar bastante sobre os últimos testes e já deu para ver alguns pontos importantes. O Felipe confirma que a Ferrari já vem andando muito forte e que tem grande potencial para ser à força de 2007, tanto é que, mesmo ele não revelando, a equipe italiana já vem escondendo o jogo depois dos primeiros treinos. A Honda parece ter se adaptado muito bem aos pneus Bridgestone e Rubinho andou forte em Jerez. Isso é um ótimo sinal, pois fazia um tempo que eu não via o Rubens tão motivado assim. Liuzzi e Doorbos disputam uma vaga na Toro Rosso e ambos estão confiantes, mas conseguiram deixar essa pressão de lado para curtir o evento em Floripa. Alesi, atualmente na DTM, confirmou que não disputará o campeonato alemão no próximo ano, mas disse, como eu esperava do competitivo Jean Alesi que conheço, que ainda não vai “pendurar as sapatilhas”.
Assim, apesar de ser uma competição com clima de diversão, pude desfrutar e curtir bastante esse encontro com meus “colegas de trabalho”. Mas devo admitir que não vejo a hora dessa fase de encontros e festas passar bem rápido para voltarmos as competições de verdade.

